Para China, pressão dos EUA contra Irã causa tensão no Oriente Médio

Concept american and Iran flag on cracked background

“As tensões no Oriente Médio são causadas pela extrema pressão dos EUA sobre o Irã”, afirmou o presidente da China, Xi Jinping, na quarta-feira (5) em entrevista conjunta à agência de notícias russa, Tass e ao jornal Rossiyskaya Gazeta.

Para o presidente chinês as sanções unilaterais norte-americanas e essa “pressão extrema” sobre Teerã “tem desdobramentos preocupantes”.

O acordo nuclear com o Irã previa a manutenção do comércio com o país. Em abril, a Casa Branca declarou, de forma unilateral, que o acordo nuclear estava rompido e quem quer que comprasse petróleo iraniano sofreria retaliações por parte dos EUA, acrescentando que a intensão é baixar a zero as exportações iranianas.

A China – maior comprador do petróleo iraniano – discordou da decisão dos EUA declarando que seus negócios com o Irã são “razoáveis e legítimos”.

Agora, nesta entrevista desde Moscou, Xi Jinping reafirmou que “a China vai continuar firmemente a assegurar seus direitos e interesses legítimos e legais”.

“É lamentável a ruptura do acordo nuclear internacional conjunto com o Irã pelos Estados Unidos”, já havia afirmado, dias antes, o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Geng Shuang,

Segundo ele, “defender e implementar o Plano de Ação Conjunto Global (como é denominado o acordo firmado entre o Irã e mais 5 partes em 2015), para barrar a escalada das tensões, é responsabilidade de todos”.

Como resposta às pressões norte-americanas para que todos os países suspendam compras junto ao Irã, o país anunciou retomada parcial do seu programa nuclear de enriquecimento do urânio.

Em atitudes próximas a uma declaração de guerra, Washington despachou para a região uma frota naval incluindo porta-aviões, uma força tarefa de bombardeiros e navios anfíbios de assalto, dizendo que nada disso é agressão, trata-se de “reposta a ameaças por parte do Irã”.

Em outro momento de sua entrevista, o presidente Xi destacou que o acordo tem “importância crucial para a paz e a estabilidade no Oriente Médio” e, portanto, deveria ser “completamente implementado e respeitado”.

Acrescentou que Beijing e Moscou – ambos signatários do acordo – compartilham uma posição “elevadamente alinhada” na questão nuclear com o Irã e apoiam o diálogo e a observação de sua preservação.

“China e Rússia esperam de todas as partes a racionalidade e a contenção, o avanço do diálogo e das consultas para que a temperatura desta situação comece a baixar”, disse ainda Xi Jinping.